terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

hoje não...


hoje não... me apetece estar aqui
a sentir o odor que a terra tem,
que no amanhecer dum novo dia
nos renova a pálida esperança
de uma nova vida, de um novo olhar.
hoje não...me apetece ver o brilho do sol,
a correria alegre duma criança na calçada da alegria
o poeta que contempla as tagides e as ninfas da loucura sadia.
hoje não...
hoje não me apetece sorrir
não me apetece ser um pássaro
que esvoaça no céu azul celeste
sem rumo, sem grades, apenas livre
hoje sim...
serei apenas uma sombra de mim
hoje apetece-me estar no negro escuro do meu canto
lambendo um pouco das feridas infringidas
sozinho... só comigo
sendo apenas uma sombra de mim
mas hoje não serei eu...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

quem tu és?...

quem tu és?...
que em mim traz a felicidade
que a mim me embala como a aragem
que em mim me desperta a verdade
que em mim deixa um rasto de saudade
que lembrançasentida é em mim uma miragem
de gestos que não tive... quem tu és?...
quem tu és?...
flor de um qualquer selvagem jardim
que beleza maior nunca eu vi em mim
de fermosa doçura que não tem fim
maravilhoso ser que te criou assim
quem tu és? ... que morro por ti...
quem tu és?...
que de um sentimento penoso me enche
sem que tenha tempo para o respirar
a revolta de dentro de mim mexe
a vontade de poder para sempre te amar
és tu com quem quero ficar
és tu o quadro que me preenche
és tu a diva que o meu ser vai aclamar

05.98

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

tormentos


já não me sinto seguro neste céu
já não sei explicar o que sinto
quem me tira deste turbilhão sentido
quem me arrasta para la do infinito.
quem me mostra de novo a luz
essa luz que me abrasa o rosto
essa luz singela e pura de anjo iluminado.
quero de novo o luar do teu olhar
já não sei o que é correcto ou errado
quero esse sorriso que me cativa
quero sentir a tua brisa de seda aveludada
quero de novo a luz que em mim desapareceu
já não sei o que se passa à minha volta
apenas me deitar e deixar o mundo rodar

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Se um dia pudesse ser




se eu um dia pudesse ser um gesto teu
apenas um gesto, por mais simples que ele fosse
meu Deus, que gesto mais belo que o próprio céu,
esse estonteante momento de magia
que em ti explode nessa garrida alegria
de um sorriso ser o teu gesto,
esse gesto que seria o meu.

se eu um dia pudesse ser um pedacinho de ti
apenas um pedacinho, por mais ínfimo que fosse
quam luz grande em mim nasceria
e de vergonha a lua se vergaria
por não ter essa grandeza infinita
que é a beleza da luz do teu olhar.

se eu um dia pudesse ser um sentimento teu
apenas um sentimento, por mais doloroso que fosse
não escolheria o amor,
não escolheria a amizade,
escolheria a saudade,
pois no meu peito a trago,
pois em mim é amargo
esse sentimento que em nós é fado,
esse sentimento que me traz amarrado
a saudade ...
a saudade de te ter.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

procuro-te


Escondo-me por detrás dos teus velhos pensamentos
Na ânsia de encontrar a verdade perdida dos teus olhos
Saberei eu um dia encontrar em ti a espontaneidade de um sorriso?
Subo, deslizo, abraço, enrolo-me no desejo de ver a sua lua
O seu brilho, o seu reflexo nas calmas agua do mar
Mais parecem ondinas que se deleitam no prado da virtude
Compõem um poema para mim
Onde digas o meu nome
Onde me faças sentir céu, sol, esperança
Faz-me sentir que algo em ti mudou
Faz-me sentir que te faço falta
Deixa-me viajar pelo labirinto do teus sonhos
Deixa-me repoisar no mar da tua serenitude
Deixa-me respirar os teus pensamentos
Deixa-me ser as asas dos teus sonhos
Deixa-me.... não te desvanecer
Abraça-me
Mas não me ignores.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

sentimento sentido

Não vou descrever o que me resta dos sonhos
Pois esses já nem sei o que serão
Apenas quero-te dizer que me fazes falta
Desculpa a mão que me estendeste e eu não agarrei
Desculpa os sonhos da cor do arco-íris que daltonicamente esmoreceram
Não faz sentido o verbo sorrir se não te encontro
Não faz sentido olhar o mar sem a brisa dos teus lábios
Não faz sentido o céu sem a cor dos teus olhos
Nada mais faz sentido
Apenas a noite, o negrume do sofrimento
A dor de mais uma vez não acordar
A ansiedade de mais um dia
Eu sei...
Eu também sinto o mesmo mas, agora tenho que ir
O solitário caminho desta vida me aguarda
Percorrer o mundo, não dá para estar aqui
É tarde... a lua será a minha companhia.
Eu sei que um dia te encontrarei ... felicidade
(dedicado à lua)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

BEM HAJAM AMIGOS


a amizade vivida jamais se repete
a amizade sentida jamais se esquece
bem hajam os meus amigos que portas de felicidade me abrem
será sempre como o nosso primeiro amor
para sempre agarrada ao nosso coração
por mais pequeno que ele seja
por mais rude que ele se torne,
bem hajam os meus amigos por serem pernas quando teimo em caminhar
amizade será para o eterno recordada
noutra vida, numa outra alma
a amizade será como o céu azul
por muito que as negras nuvens o escondam,
por muito que o tempo apague, ela estará lá
bem hajam os meus amigos por serem minha consiência perdida no fulgor de uma luta
para num abraço saudoso nos lembrarmos
que no frio fado fundo,
negro do fim da vida
direi com alegria,
fui, sou feliz com a tua amizade.
(aos meus amigos)

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

pensamento


Penso todos os dias em ti
Aqui sentado choro a saudade
parti sem olhar para trás,
sem ver a verdade
todos os dias penso em ti
olho vagamente o horizonte,
no céu azul as aves soltam as asas
aqui estou eu, preso ao caminho que não tracei
como queria que fosses feliz
todos os dias penso em ti
não sei onde este caminho vai-me levar
mas sei que será melhor assim.
Perecerei no ímpeto de voltar a trás
Serei corajoso vencerei essa vontade
E tu...
Tu serás sempre a minha companhia
E onde quer que vá não te deixarei
Todos os dias pensarei em ti

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

balanço


Balanço a cadeira no encadeamento das ondas
Olho-as do alpendre como se fosse a ultima vez
Preto e branco...
O sol esta cansado, já não me aquece com a alegria doutras horas,
O sonho esta ali... no barco que desliza no sabor da brisa
Adormeço sentado no alpendre
revivendo a poesia que a luz me traz
por entre tragos inanimados de dor,
sonho contigo... vejo o teu sorriso
o teu olhar meigo em mim desfibrilha os sentidos,
sentado no alpendre o teu sonho entrelaça o meu
e como se de uma coluna fogosa, colorida se tratasse...
explode formando novas cores, novos sonhos, novas vidas
abraço longamente as tuas asas
as tuas asas de uma só oportunidade...
de uma só alegria
de uma só alma
de um só carinho
de uma só fantasia
balanço a cadeira no encadeamento das ondas...
nada muda...
nada se espera...
mas o sonho tudo transforma.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

renascer


encosto a cabeça... quero renascer
quero voltar a ser criança
correr sem medo de me magoar
quero ser o herói da capa esfarrapada
quero enfrentar os dragões imaginários
correr por entre os campos a florir da primavera
sentir o cheiro do orvalho na terra húmida
quero ver tudo mais belo e sem sentido
quero simplesmente viver
sentir o gosto que a vida tem
navegar sem medo das ondas
voar... esvoaçar
quero ser livre
estou cansado....
não quero isto para mim
não quero ver preto e branco
quero colorir a minha tela
quero colorir o meu sorriso
não quero ser barco nesta corrente de todos
não quero ser diferente, quero ser eu
apenas eu...
apenas quero... renascer