
a moldura da vida
definida pelo deserto que ela as vezes nos parece
a ínfima liberdade do ser
e a luz... que nos ofusca, na ânsia de sermos cada vez melhores.
caeci sunt oculi, si animus alias res agit Os olhos são cegos, se o espírito se ocupa de outras coisas uma vida sem sentido...sentindo
Subo a serrania dos anseios, descalço de tudo
Os meus sentimentos estão perturbados,
Somente a brisa que ruma do norte me traz sentido.
Neste local onde refugio a minha paz,
Onde me encontro sozinho, sem dor
Olho aquilo em que me querem transformar
Num simples seixo,
que pelas correntes da confraria universal
resiste a ser lapidado.
é hora de mudar, é hora de subir mais alto
ver o arco-íris de outras tantas cores,
não apenas cinzento
é tempo de espalhar as cinzas do meu passado
é tempo de renovar a labareda da alma
aquela que nos forma e transforma
em pessoas, não em seixos esculpidos
pela corrente da confraria.


Já nem sei exteriorizar o que sinto
O vazio apoderou-se do meu ser
Deixando-me ir na deriva da maré
Já não sei quem sou… quem era
Sinto que chegou a minha vez
Sinto-me sozinho cheio de gente
Sinto-me alegre com a saudade
esmoreceu o azul do céu
a vida já partiu em mim,
hoje volto a casa,
onde sei que alguém me espera
chegou a hora de abrir as asas.
sentado imóvel no alto do agreste fado trilhado


